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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O fruto do verme

E Para abrir o "Especial Sexta-feira 13" do Um Aplauso, começaremos com algo leve para começar a te animar. Vamos te intrigar, assustar, surpreender e fazer você querer mais a cada Post. Está pronto? Então, que comece o Especial.

Recomendações: Diminua o brilho do monitor, apague as luzes, se concentre no conto. Gostaria de uma música para acompanhar? Siga o Link: Trilha sonora do medo

Á você que me trouxe de volta dos portões do inferno e me mostrou a luz…
Há uma mulher vagando pelas frias e úmidas vielas do centro,seus olhos aparentavam belas esmeraldas em meio á escuridão,suas nobres vestes eram brancas como a neve,sobre elas havia um enorme manto negro que á cobria desde sua testa até a ponta dos seus pés.
Seus cabelos eram escuros e longos,ultrapassavam a linha de sua cintura.Seus pés estavam despidos e machucados.
Ela saíra do baile ornada em joias,aos poucos – em sua trajetória – as descartou uma por vez,para ganhar velocidade.De todas elas restaram apenas :um anel de prata que encontrava-se em seu dedo anelar direito e uma delicada corrente,também de prata,amarrada em seu tornozelo esquerdo.
Havia vários cortes entre suas costelas,seu sangue escorria violentamente dentre as feridas,seria extremamente complicado coagular todos aquele liquido vermelho,que agora,com o frio,já estava seco e fundido em suas vestes.
Após aguentar,por mais de 2 quilômetros,correr freneticamente sem descanso algum,sem conseguir suportar tal sofrimento por mais um passo se quer,implorando por misericórdia,seu corpo exausto de tanto lutar contra si mesmo,desabou em meio á rua sem forças.
Durante os milésimos de segundos antes do seu corpo atingir agressivamente o solo,liquido lacrimal foi expelido em abundância daquelas belas esmeraldas.
O pouco sangue que restava em suas veias pulsava fervorosamente,de tal forma que o impacto não foi sentido.
Os níveis de adrenalina em seu corpo estavam a ponto de lhe causar um ataque cardíaco em poucos segundos .
Após toda agonia veio o silêncio,sua pulsação que antes era apenas para a sobrevivência agora estava calma,mas seu cérebro continuava a mandar intermináveis impulsos elétricos por todo seu corpo,tentando fazer com que o mesmo se levantasse e continuasse a correr.
Por mais que seu cérebro lutasse contra aquela deplorável situação ela estava exausta demais para se levantar,então após quase 10 segundos de uma violenta convulsão seu corpo finalmente se acalmou.
A escuridão a banhava aos poucos,com esperança de encobrir toda aquela luz que vinha daquela pobre garota assustada.

Após alguns instantes ele chegou com suas seis lâminas em punho e fez dela mais uma de suas pobres vitimas.


Hello...






Sabe aquela sensação de estar sendo observado, mesmo quando você está sozinho e não há ninguém por perto? Pois então, talvez você esteja realmente.

Você com certeza já sentiu isso, é normal, todos os humanos já sentiram. E eu posso explicar, se você quiser. 
Na maioria das vezes, não é um sentimento aleatório e sem sentido, na maioria das vezes, é a realidade, há algo ou alguém te observando, mas você não pode vê-lo. Apenas sentir sua presença.

Não estou querendo lhe amedrontar meu amigo, isso é só uma espécie de...alerta. É que em volta dos seres humanos, pessoas como você ,que está lendo esse texto, existem outros seres que não podem ser vistos, mas podem ser sentidos. Eles podem ser tanto entidades boas, como entidades más. Podem estar ali para cuidar de você e te proteger, como para atrapalharem sua vida, lhe fazer mal, deixa-lo assustado. E eles fazem isso para roubar suas energias e assim ficarem mais fortes. Eles são movidos pelos nossos sentimentos, enquanto as entidades boas a sua alegria é o que lhes dá “combustível”, nas entidades más o que lhes dá esse “gás”, é o seu medo. Mas para ambos os seres, sua atividade favorita é lhes observar, em todos os momentos da sua vida, do momento que você acorda e vai escovar seus dentes até a hora que você está dormindo.

Deveria ser normal para qualquer um, afinal nós somos presença constante em suas vidas. Mas, vocês insistem em se assustar, nos chamar de assombrações. Por favor, nós não somos nada disso. Somos apenas, anjos. 
Sim, anos da guarda e anjos caídos, e estamos aqui na terra para cuidar de vocês ou lhes atormentar. E acredite, é você mesmo quem escolhe quem fica ao seu lado. Se você for bom, vai ter um anjo da guarda, bondoso e puro ao seu lado, cuidando de você. Agora, se você for uma má pessoa, se gostar de fazer o mal, logo você terá um anjo caído junto de ti. Mas é como eu já disse, o que todos eles mais gostam é te observar. E quando eles se “concentram” demais, você pode sentir um ligeiro incomodo, é justamente nessas horas que você mais consegue “sentir” a presença deles.

Olhar não mata, deixe de ser chato e não se importe. Quando essa sensação lhe ocorrer novamente, ignore. Nós estamos escondidos nos cantos escuros do seu quarto, embaixo da sua cama, atrás do seu roupão no banheiro, em cima do seu armário. Nós somos a sua sombra. Estamos só te observando, em todos os lugares e momentos, não precisa se sentir mal, não vamos te machucar.

Atrás de qualquer ser humano, sempre há um de nós. Acredite. Nesse exato momento, em que você está aí lendo o que eu digo, há um atrás de você, apenas te observando...

Dê um sorriso e agrade essa pobre criatura que passa a eternidade, só de olho em você. Nós fazemos tanto por você, o mínimo que você poderia fazer é sorrir para nós. Vocês fazem tanto isso quando vão se olhar no espelho. Sabe o que você vê? O seu reflexo? Pois então, não é você. Somos nós. Mais uma vez, ali, do outro lado do espelho, no nosso singelo universo particular apenas...te observando.

Você de estar pensando, afinal qual tipo de anjo está ao seu lado? Um anjo da guarda ou um caído ? Bom, é fácil descobrir. Olhe para dentro de si e veja, reflita, pense bem. Você tem sido uma boa ou uma má pessoa? Você tem cometido muitos pecados? Tem praticado boas ações? Afinal, que anjo você acha que você merece? Difícil né?

Hahahaha Obrigado, sua confusão mental me fez sorrir um pouco. Mas é fácil descobrir, é só procurar o seu anjo, ás vezes você consegue enxergá-los. Só precisa saber onde ele está. Quer saber onde ele está? Releia a primeira palavra de cada bloco, meu caro amigo...


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Escolhido



Mais uma noite quente na Califórnia, onde vivo desde que resolvi virar ator (ideia que não deu muito certo). Sem um mísero ar-condicionado, oque me resta é ir dormir sem cobertor ou com a janela aberta, se a taxa de criminalidade do meu bairro permitisse. Como algo que não tinha muita certeza de ser comida e vou me deitar, já se passam das três da manhã e me sinto desconfortável, não só pelo calor me consumindo, mas é como se estivesse sendo observado de perto por algo que desaparecia toda vez que me virava em sua direção. E para Alimentar meus medos, em cima da minha cama se encontrava uma folha.
Uma folha? Como assim? essa parte da cidade nunca viu uma árvore e mesmo assim, a janela estava fechada. Sinto um vento frio e decido dormir, sem cobertor e com a janela fechada.
  
4:00 AM: Não sinto mais minha cama embaixo de mim, mas ainda é o meu quarto. Toda a noção de gravidade se foi e aqui estou eu praticamente levitando. Quando sinto mãos me puxarem para baixo, caio em uma velocidade inimaginável, quando percebo que aquilo não é o meu quarto e sim um profundo buraco que se abriu no chão e que agora se fecha acabando com qualquer possibilidade de fuga. Caio no chão, mas minha surpresa é tamanha que mal sinto a dor. Eu estava em um lugar lindo (daqueles que citam nas canções), céu de marmelada, flores de lilás e uma grama incrivelmente verde. Está escurecendo e não tenho um lugar para ficar, decido continuar andando.

Já é noite e aqui é frio e úmido e sinto criaturas saindo de suas tocas para caçar, não sei que mundo é esse e o que vive nele. Subo em uma árvore para observar melhor e vejo, o que nunca deveria ter visto. Lá estava ele sentado num buraco raso feito no chão se corroendo de ódio, seus olhos estavam injetados de vermelho e começavam a sangrar toda vez que ele se mexia. Era enorme, poderia acabar com facilmente dez homens de uma vez, dentes grandes e amarelos onde jaziam pedaços de pele, ossos e alguns cabelos, Humanos. 
Eu não podia correr e nem ficar ali. por ironia do destino eu estava preso em uma famosa expressão: Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. E isso dava pra ver nos dentes e nas garras da criatura. Meu coração bate tão rápido que me pergunto se ele pode me ouvir, (então ele vira seu corpo em minha direção, seus dentes estão ainda maiores e seus olhos agora são negros com uma estranha luz vermelha).
Sim, ele pode me ouvir. Corro em desespero sentindo a fera me arranhando com seus dentes toda vez que tentava me alcançar.  Eu não aguentaria por muito mais tempo, vejo uma beirada que apresentava (uns dez metros abaixo) o mar, glorioso, livre e cheio de pedregulhos afiados em baixo. Mas era a minha única opção. Pulei. Vivi, por uns 3 segundos antes de bater com a cabeça em uma pedra submersa.

Me acordo numa caverna alta, há uma fogueira no centro e algo cozinhando. Vou até a saída da caverna e vejo os pedregulhos e o mar quase me convidando para cair novamente, tão limpo, tão livre, tão belo... algo me puxa para dentro, não tinha percebido que enquanto falava quase caí novamente.
- Acho que uma vez já é o suficiente, não acha rapazinho? - Me diz uma velha enrolada em roupas que um dia foram brancas.
- A-acho que sim, o que você é e oque quer comigo? - Respondo pronto para atacar a velha. que agora me olha com um sorriso materno.
- Sou seu socorro, seu a parte do seu cérebro que não vai te deixar morrer. Eu sou você, mas somente a parte que você precisa.

Olho para a louca, para as paredes sujas de algo que pensei ser sangue velho e coagulado, o fogo e a comida que cheirava tão bem e então cai a ficha: Eu não caí num buraco, eu não corri de uma besta e eu não estou escondido numa caverna. É um sonho,  por isso nada faz sentido. - A velha lê meus pensamentos e diz: Não meu querido, isso não é um sonho. isso é o mundo dele e aponta para o
fundo da caverna onde se escondiam as estranhas luzes vermelhas. Não há tempo para mais nada, vejo a velha se contorcendo no chão, sucumbindo à sua própria loucura, a besta se aproximando e ao chegar perto do fogo percebo que o que estava cozinhando eram os restos da besta a velha tomava conta dele, tudo oque antes eu vira nos dentes dele estava agora naquela panela. E eu seria o próximo. 

Corro para a saída sem me preocupar com o que há embaixo, pulo e caio de um pulo tão pequenos que pareceu infantil. Ao olhar para trás, nada de caverna nada de velha doida se contorcendo. Apenas um hospital e pelas placas de aviso e as trancas nas portas deu pra ver que era um hospício, mas o detalhe
é que estava tudo apagado e oque me guiava era uma lanterna de uma luz fraca que inexplicavelmente pareceu na minha mão. Procuro a saída mas aquele corredor não tinha fim, a única opção seria entrar numa das salas. Entro em uma sala cinza, com paredes desbotadas, água acumulada nos cantos e uma cadeira longa e inclinada bem no meio. Um armário ficava numa parede mais ao fundo atras da cadeira. Estou esgotado, um cansaço enorme me possui e decido me sentar na cadeira. Ah, nada melhor do que um belo descanso após um dia tão longo. Até que sinto mãos agarrando meus pés e meus braços, médicos loucos estão me agarrando e vejo algo que reconheci de vários filmes que já assisti:
Um quebrador de gelo, um martelinho e um médico segurando os dois enquanto outro mantinha minha cabeça imóvel. Eles iam me fazer uma lobotomia. Simplesmente apagar minha memória, minha personalidade e me deixar morto, mas ainda vivo. e esse procedimento seria bem doloroso.

Me rendo, não aguentava mais correr e nem ver coisas surreais. Mas não morreria como qualquer outro, estava pensando no que falar quando o médico que segurava as ferramentas me disse: Parabéns, você se superou dessa vez! Conseguiu chegar até aqui sem ser carregado. Espero que amanhã você decida comer o que a doce velhinha estava cozinhando, quem sabe você pode passar por nós e finalmente entrar lá. 
Confuso pergunto: Hã? Eu já estive aqui antes? Não é possível, quem é aquele monstro? por que ele me quer? e onde eu finalmente entraria? Com um sorriso no rosto  e se aproximando cada vez mais ele me fala ao ouvido: 
-Nós te arrastamos todas as noites para você entrar lá e tudo oque aquele monstro faz, é tentar te impedir.
- Me impedir de que?
- De entrar no inferno.


6:00 AM - Estou no meu quarto e sigo com a minha vida normal, como sempre fiz. Mas hoje é diferente, é o meu último dia aqui. Agora eu sou um deles e quando você for dormir, ali sozinho no escuro, envolvido num silêncio mortal e sentir que algo está te observando, não se preocupe, somos só nós, te convidando para fazer a sua jornada, novamente.